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	<title>Arquivo de gordura - Sandra Oliveira - Coach</title>
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	<description>Coaching de saúde, emagrecimento e bem-estar</description>
	<lastBuildDate>Mon, 27 Jan 2020 10:50:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de gordura - Sandra Oliveira - Coach</title>
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	<item>
		<title>Como comer mais gordura pode melhorar a tua memória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jan 2020 10:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição e alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Alzheimer]]></category>
		<category><![CDATA[Cérebro]]></category>
		<category><![CDATA[gordura]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O teu cérebro é o centro nervoso mais sofisticado e avançado do planeta e é a acumulação de milhões de anos de biologia evolutiva humana. Nenhum outro órgão contém tanta gordura ou precisa tanto dela. Sem ela, o cérebro simplesmente não consegue funcionar. A perda de memória é um sinal disso. Neste artigo podes ler sobre o papel das gorduras na manutenção da memória e de outros aspetos da função cognitiva e o que pode acontecer quando faltam as gorduras certas no cérebro.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/como-comer-mais-gordura-pode-melhorar-a-tua-memoria/">Como comer mais gordura pode melhorar a tua memória</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este é um artigo traduzido por Sandra
Oliveira. O original, escrito pela nutricionista Maria Cross, está <a href="https://medium.com/feed-your-brain/how-eating-more-fat-can-improve-your-memory-5b1331a8883d">aqui</a>.</p>



<p>A dieta cetogénica é muito mais do que perda
de peso.</p>



<p>O teu cérebro é o centro nervoso mais
sofisticado e avançado do planeta. Ou &#8211; dependendo de como olhas para ele &#8211; um
pedaço de gordura enrugado, alojado dentro do teu crânio. De qualquer maneira,
é a acumulação de milhões de anos de biologia evolutiva humana.</p>



<p>Nenhum outro órgão contém tanta gordura ou
precisa tanto dela. Sem ela, o cérebro simplesmente não consegue funcionar. A perda
de memória é um sinal disso.</p>



<p>O peso seco do cérebro é 60% de gordura. Está
tudo lá: gordura saturada, monoinsaturada e polinsaturada. Há também uma boa
dose de colesterol, uma substância semelhante à gordura. Além de formar parte
da estrutura do cérebro e fornecer energia, essas gorduras desempenham um papel
na manutenção da memória e de outros aspetos da função cognitiva.</p>



<p>Da mesma forma, a falta das gorduras certas
desempenha um papel na disfunção cognitiva, incluindo falta de memória e, no
limite, demência.</p>



<p>Talvez seja por isso que a gordura seja tão
atraente. “A gordura dá sabor aos alimentos”, tal como a famosa chef e
personalidade da TV Julia Child disse uma vez. A gordura é saciante e ilumina instantaneamente
os centros de recompensa do teu cérebro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O
cérebro não funciona com glicose, e não com gordura?</strong></h2>



<p>Sim e não, é a resposta a esta pergunta.</p>



<p>Embora o cérebro humano normalmente use
glicose como sua principal fonte de energia, pode mudar para a queima de substâncias
chamadas cetonas, quando a glicose é escassa. As alturas de escassez incluem
jejum, exercícios de resistência e quando estás numa dieta baixa em hidratos de
carbono. Os hidratos de carbono são a principal fonte de glicose do corpo.</p>



<p>Quando os níveis de glicose diminuem, os
ácidos gordos são libertados do tecido adiposo – a tua gordura armazenada. As
cetonas são produzidas no fígado a partir desses ácidos gordos.</p>



<p>Os ácidos gordos não podem atravessar o
cérebro através da barreira hematoencefálica, mas as cetonas podem, e fazem-no.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>É uma
coisa cetogénica</strong></h2>



<p>Podes ter ouvido falar da dieta cetogénica
como uma estratégia de perda de peso. É, basicamente, uma dieta muito baixa em hidratos
de carbono, rica em gorduras e é eficaz porque, quando a glicose acaba, começas
a entrar na gordura armazenada.</p>



<p>A dieta cetogénica é a mais recente de uma
longa linha de dietas populares. Mas não te enganes &#8211; esta não é uma dieta nova
ou da moda. A perda de peso é apenas um bónus adicional; não é aquilo a que de
a dieta originalmente se tratava.</p>



<p>A dieta cetogénica é um tratamento
cientificamente comprovado para a epilepsia resistente a medicamentos. Foi usada
pela primeira vez na década de 1920, quando se descobriu que era uma maneira
eficaz de controlar as convulsões.</p>



<p><a href="https://link.springer.com/content/pdf/10.1016/j.nurt.2009.01.005.pdf">Estudos</a> descobriram que metade das crianças experimenta pelo menos 50% de
redução nas convulsões após 6 meses de dieta cetogénica e um terço atinge mais
de 90% de redução.</p>



<p>&#8220;A dieta cetogénica (KD) agora é uma
terapia comprovada para epilepsia resistente a medicamentos, apoiando seu uso
em vários estados de doenças neurológicas.&#8221;</p>



<p>Agora, o foco está na memória e na função
cerebral.</p>



<p>A epilepsia é um distúrbio cerebral &#8211; aí está a
tua primeira pista.</p>



<p>A tua <a href="https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2012.00059/full">segunda
pista</a> é o fato de que há uma maior incidência de convulsões em
pacientes com doença de Alzheimer do que em pessoas sem a doença.</p>



<p>Os investigadores estão otimistas de que a
dieta cetogénica possa ser usada como uma estratégia eficaz de prevenção da
demência. Uma dieta pobre em hidratos de carbono já se mostrou eficaz no
tratamento de transtorno cognitivo leve (TCL), uma condição que precede a
demência e é considerada um fator de risco para a doença.</p>



<p>Em 2012, a revista Neurobiology of Aging
publicou os resultados de um estudo sobre os efeitos de uma dieta muito baixa
em hidratos de carbono na perda de memória. Os 23 participantes, idosos e todos
com TCL, receberam uma dieta muito alta ou muito baixa em hidratos de carbono
por seis semanas. No final do período experimental, foi observado um melhor
desempenho da memória verbal no grupo de baixos hidratos de carbono, mas não
naqueles que seguiam a dieta rica em hidratos de carbono. O grupo de baixos hidratos
de carbono, cetogénico, também sofreu reduções no peso e na circunferência da
cintura.</p>



<p>&#8220;Essas descobertas indicam que o consumo
muito baixo de hidratos de carbono, mesmo a curto prazo, pode melhorar a função
da memória em idosos com risco aumentado para a doença de Alzheimer&#8221;.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Como
funciona?</strong></h2>



<p>Pessoas com Alzheimer têm a captação de
glicose no cérebro comprometida &#8211; o uso de glicose pelo cérebro deteriora-se.</p>



<p>É por isso que a diabetes tipo 2 aumenta o
risco de demência. Os diabéticos não produzem insulina suficiente ou não podem
usá-la adequadamente. Uma dieta cetogénica contorna esse problema &#8211; as cetonas
fornecem uma importante fonte de energia que não a glicose ao cérebro. O fígado
pode produzir cetonas suficientes, por dia, para atender às necessidades do
cérebro.</p>



<p>A cetose ocorre quando o corpo está a produzir
cetonas. A cetose pode ser induzida num regime alimentar de 20&nbsp;g a 50&nbsp;g
de hidratos de carbono por dia. Esse regime produz uma mudança do metabolismo
da glicose para o de cetonas e é indicado pela presença de cetonas na urina.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ceto côco
</strong></h2>



<p>Há outra maneira de queimar cetonas como energia,
além de restringir hidratos de carbono.</p>



<p>Alguns ácidos gordos saturados &#8211; os triglicerídeos
de cadeia média (MCTs) &#8211; são facilmente metabolizados pelo organismo e
convertidos em cetonas. Por esse motivo, os cientistas acreditam que esses MCTs
podem ser benéficos para pessoas com Alzheimer ou algum tipo de declínio da
memória. Se não podem usar glicose, podem usar MCTs em alternativa.</p>



<p>O côco é uma fonte especialmente rica de MCTs. De facto, foi apontado como um &#8220;potencial fortalecedor cognitivo&#8221; para pessoas com Alzheimer.</p>



<p>Quando um grupo de 20 pessoas com Alzheimer ou
transtorno cognitivo leve recebeu uma dose oral de MCTs, ou um placebo,</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;Valores mais altos de cetonas foram associados a uma maior melhoria na recordação de parágrafos com o tratamento MCT em relação ao placebo em todos os indivíduos&#8221;.</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mas, a cetose é natural? Ou mesmo segura?</strong></h2>



<p>Fizeste isso no útero; simplesmente não te lembras.</p>



<p>Os bebés usam cetonas como combustível
cerebral, antes mesmo de nascerem. As cetonas fornecem até 30% da necessidade
de energia do cérebro, antes do nascimento.</p>



<p>Após o nascimento, os bebés que são amamentados
estão num estado cetogénico suave e sustentado, porque o leite materno contém
ácidos gordos de cadeia média &#8211; assim como o coco.</p>



<p>Também não te faz mal quando és adulto. Em
2003, uma <a href="https://www.zaggini.com/old/media/ketogenic-diets-for-weight-loss-a-review-of-their-principles-safety-and-efficacy_01.pdf">revisão
sistemática</a> não encontrou efeitos adversos de uma dieta cetogénica
nas gorduras sanguíneas, pressão arterial ou níveis de glicemia em jejum. Em
vez disso, os ensaios resultaram na melhoria da saúde e perda significativa de
peso.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“<a href="https://nyaspubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/nyas.12999">A cetose nutricional pode ser alcançada com segurança por uma dieta cetogénica rica em gordura</a>”</p></blockquote>



<p>Não há nada de novo numa dieta rica em
gorduras. Nós, humanos, desenvolvemos um gosto por gordura há cerca de 3
milhões de anos, quando começámos a deixar as nossas casas nas árvores e
abandonamos a nossa dieta à base de frutas. Esta é a tua terceira pista.</p>



<p>Começámos com cérebros pequenos e não éramos
especialmente brilhantes. Mas a mudança é inevitável, e mudança nós fizemos.</p>



<p>Primeiro, nós coletámos. Então, quando ficamos
mais espertos, juntámos as nossas ferramentas e fomos caçar. Quanto maior e
mais gorda a presa, melhor, no que diz respeito aos primeiros humanos.</p>



<p>É claro que não sabíamos disso na época, mas a
mudança no estilo de vida, de comer frutas a caçadores-coletores, é creditada
por desencadear a mais rápida e extraordinária expansão do cérebro, pela qual
nós, humanos, somos tão famosos. O cérebro passou a quase triplicar de tamanho
&#8211; um feito excecional em qualquer padrão.</p>



<p>Mark Sisson, ex-atleta americano de
resistência e agora autor de best-sellers de nutrição e de um blog, <a href="https://www.marksdailyapple.com/what-happens-after-keto/?awt_l=EtnBH&amp;awt_m=IkBEB8lUQhWvYa&amp;utm_source=mda_newsletter&amp;utm_campaign=mda_newsletter_040418&amp;utm_medium=button1">resume
a dieta cetogénica</a> como &#8220;Um reset&#8230; um retorno ao estado
metabólico ancestral, o estado metabólico em que nascemos&#8221;. Eu acho que isto
o resume muito bem.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Além
das cetonas: DHA</strong></h2>



<p>As cetonas não são a única gordura que o
cérebro gosta e precisa. As cetonas fornecem energia, mas no que respeita à
função, existem outras gorduras. Talvez a mais importante delas seja o ácido
gordo ómega-3, ácido docosa-hexaenóico (DHA).</p>



<p>Apenas duas espécies de mamíferos têm cérebros
desproporcionalmente grandes e cognição avançada – os humanos e o golfinho Roaz-Corvineiro
ou Golfinho-Nariz-de-Garrafa. Ambos dependem do DHA.</p>



<p>Precisas de DHA para a função neurotransmissora
e para o desenvolvimento das tuas habilidades cognitivas. Os neurónios
simplesmente não disparam sem ele, e a recuperação da memória será uma luta.</p>



<p>De facto, sem o DHA, nem sequer conseguirias
desenvolver um cérebro.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Gordura
do bebé</strong></h2>



<p>A dependência do DHA começa antes de nasceres
e não termina até morreres. Durante a gravidez, uma mãe passa mais DHA para o
bebé do que guarda para si mesma. Este fornecimento é normalmente suficiente
para os três primeiros meses de vida.</p>



<p>Depois disso, tudo depende da dieta. E essa é
a preocupação: as crianças que têm falta de DHA têm maior probabilidade de ter
taxas aumentadas de distúrbios neurológicos, incluindo transtorno do déficit de
atenção/hiperatividade (TDAH) e autismo.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Jovens
e idosos</strong></h2>



<p>A deficiência de DHA pode afetar a memória,
mesmo em adultos jovens. Uma equipa de investigadores pesquisou se o DHA
suplementar poderia melhorar o desempenho cognitivo em jovens que comiam pouco
peixe. O peixe é a principal fonte de DHA.</p>



<p>No seu <a href="https://academic.oup.com/ajcn/article/97/5/1134/4577127">estudo</a>,
relatado no The American Journal of Clinical Nutrition em 2013, um total de 176
adultos saudáveis com idades entre 18 e 45 anos e com baixa ingestão de DHA
receberam um suplemento diário de DHA ou um placebo por seis meses. No final do
período do estudo, foram testados quanto ao desempenho cognitivo. Os investigadores
concluíram que:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>&#8220;A suplementação com DHA melhorou a memória e o TR (tempo de reação) da memória em adultos jovens e saudáveis cujas dietas habituais eram baixas em DHA&#8221;.</p></blockquote>



<p>O problema não é que tomar suplementos de DHA
melhora a memória &#8211; é que a falta de DHA piora a memória. Isso pode levar a
problemas mais sérios mais tarde na vida.</p>



<p>Na velhice, a deficiência pode levar à
demência. Isso ocorre porque o DHA se acumula em áreas do cérebro envolvidas na
memória e na atenção, como o córtex cerebral e o hipocampo.</p>



<p>A má notícia é que, apesar de estudos
demonstrarem que a alta ingestão de DHA tem um claro efeito protetor contra o
risco de desenvolver a doença de Alzheimer, a suplementação com DHA assim que a
doença ocorre parece não ter nenhum benefício.</p>



<p>A única fonte boa e confiável de DHA são mariscos
e peixes gordurosos. Peixes gordurosos inclui salmão, truta, arenque, sardinha,
atum fresco e anchovas. A carne e os ovos dão uma pequena contribuição, mas
apenas de animais alimentados a pasto.</p>



<p>Embora alguns alimentos vegetais,
principalmente nozes e sementes, contenham gorduras que podem ser convertidas
em DHA, a taxa de conversão é tão baixa que é considerada insignificante e
insuficiente para atender aos requisitos do cérebro.</p>



<p>Portanto, se não tens comido muito peixe e marisco,
ou carne de ar livre, alimentada a pasto, qual é a tua fonte de DHA? Não te quero
assustar, mas talvez seja bom ficar um pouco assustado às vezes.</p>



<p>Vale a pena garantir que tens um fornecimento
abundante de DHA agora, porque</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“No geral, a maioria dos estudos indica que o consumo de peixe está associado a um menor risco de desenvolver doença de Alzheimer na maioria das coortes”.</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Está tudo
terrivelmente errado</strong></h2>



<p>Não há cura para a demência, incluindo a
doença de Alzheimer, a forma mais comum. Os casos estão a aumentar
exponencialmente: a morte por demência aumentou quase 40% entre 2005 e 2015.</p>



<p>Estima-se que o número de pessoas em todo o
mundo a viver com demência seja de 46,8 milhões, com previsão de duplicação em
2030. Além disso, os casos de diagnóstico precoce &#8211; com menos de 65 anos &#8211;
também estão a aumentar.</p>



<p>Estas estatísticas não têm nada a ver com
genética ou com viver mais tempo.</p>



<p>As evidências sugerem que o aumento alarmante
nos números de demência tem tudo a ver com dieta e alguns conselhos dietéticos
decididamente desonestos.</p>



<p>Tudo começou na década de 1950, quando o biólogo
e patologista americano Ancel Keys propôs uma teoria de que a gordura saturada
era a causa de doenças cardíacas. Em 1952, ele apresentou a sua &#8220;hipótese
da dieta do coração&#8221;. Culpou a gordura saturada (e o colesterol) por quase
todas as doenças crónicas conhecidas pela humanidade e promoveu os óleos
vegetais como uma alternativa saudável.</p>



<p>Em 1961, Keys, agora no comité de nutrição da
American Heart Association, convenceu os outros membros do comité de que a sua
teoria da saúde da dieta e do coração fornecia o caminho a seguir para o bem da
nação. A partir de 1961, a AHA recomendou que a gordura saturada fosse
substituída por óleos vegetais feitos de milho ou soja.</p>



<p>Observa qualquer produto de fast food, snack
ou refeição pronta e provavelmente verás a presença desses óleos vegetais no
rótulo.</p>



<p>Esses óleos são altamente processados e ricos
em ácidos gordos ómega-6. O consumo desses ácidos gordos ómega-6 disparou
rapidamente, uma vez que substituíram a gordura saturada na nossa dieta.</p>



<p>E aí está o problema.</p>



<p>Substituíram a gordura saturada na dieta e <a href="https://www.mdpi.com/2072-6643/3/5/529/htm">deslocaram
o DHA no cérebro</a>. É geralmente aceite que evoluímos numa dieta
contendo quantidades mais ou menos iguais de ambos os grupos. Eles competem pela
absorção e, quando o ómega-6 excede o ómega-3, o DHA é deitado abaixo.</p>



<p>Se tens medo de gordura saturada, não tenhas.
A evidência contra a gordura saturada sempre foi mais especulativa do que
factual. É por isso que o British Medical Journal publicou, em 2015, uma <a href="https://www.bmj.com/content/351/bmj.h3978/">revisão</a>
dos estudos mais robustos sobre os efeitos nocivos assumidos da gordura
saturada &#8211; incluindo risco de morte &#8211; e concluiu que não havia evidências para
apoiar as alegações de que a gordura saturada era de alguma forma um factor de
risco.</p>



<p>Como Julia Child também disse: &#8220;Se tens
medo de manteiga, usa natas&#8221;.</p>



<p>Os humanos são os únicos mamíferos terrestres
que nascem gordos. Isto torna-nos bastante especiais. (Os golfinhos, como nós,
nascem gordos e também são muito inteligentes.) A gordura existe para servir
como um reservatório de energia e crescimento para o cérebro em rápido
desenvolvimento.</p>



<p>(O papel do colesterol, uma substância semelhante à gordura, também é importante)</p>



<p>Pode ter tido uma má reputação nos últimos 50
anos, mas a gordura ainda é essencial para o funcionamento saudável do cérebro.
Podes alterar as diretrizes alimentares quantas vezes quiseres, mas não podes
alterar a bioquímica humana.</p>



<p>Enquanto isso, lembra-te de que tens um magnífico exemplar de biologia evolutiva alojado dentro do teu crânio. Por favor, cuida dele e reconsidera a opção sem gordura.</p>



<p>NOTA: se queres saber mais sobre Alzheimer, podes ler <a href="https://sandraoliveira.net/a-doenca-de-alzheimer-e-a-ligacao-ao-acucar/">este artigo</a>. Se quiseres saber mais sobre alimentação saudável, vê <a href="https://sandraoliveira.net/o-que-comer-e-o-que-evitar-para-uma-vida-longa-com-saude/">aqui</a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/como-comer-mais-gordura-pode-melhorar-a-tua-memoria/">Como comer mais gordura pode melhorar a tua memória</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Uma Breve História da Nutrição no Ocidente</title>
		<link>https://sandraoliveira.net/uma-breve-historia-da-nutricao-no-ocidente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2019 16:02:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Nutrição e alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Carne]]></category>
		<category><![CDATA[gordura]]></category>
		<category><![CDATA[Mitos da nutrição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ainda acreditas que carne vermelha causa cancro e que a gordura é o diabo? Então lê este artigo para saberes como a nossa sociedade passou a acreditar plenamente nessas ideias desinformadas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/uma-breve-historia-da-nutricao-no-ocidente/">Uma Breve História da Nutrição no Ocidente</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este
é um artigo traduzido. O original está <a href="https://robbwolf.com/2019/09/17/a-brief-history-of-nutrition-in-the-west/">aqui</a>.</p>



<p>Por
Robb Wolf</p>



<p>Se estás
aqui, vou assumir que provavelmente sabes que carne vermelha NÃO causa cancro e
gordura não é o diabo. Mas sabes como a nossa sociedade passou a acreditar
plenamente nessas ideias desinformadas?</p>



<p>Como
parte da minha contribuição para o novo livro de David Hauser, <a href="https://www.amazon.es/Unstoppable-Steps-Transform-Your-Life-ebook/dp/B07TGF4RVH/ref=tmm_kin_swatch_0?_encoding=UTF8&amp;qid=1565974521&amp;sr=8-1">Unstoppable:
4 Steps to Transform Your Life</a> (Imparável:
4 Passos para Transformar a sua Vida), compartilhei a linha do tempo da
Nutrição no Ocidente e destruí os mitos da carne vermelha e da gordura.</p>



<p>Quis
compartilhar o excerto com todos vocês para vos ajudar a entender melhor onde
estivemos e porquê, com a esperança de que isso nos arme melhor para um futuro
melhor.</p>



<p>Para
destilar os mitos de que a gordura é má e que a carne vermelha causa cancro, é
vital que eu te forneça uma breve história sobre nutrição no Ocidente, pois
isso ajudar-te-á a entender de onde se originou parte da sabedoria convencional
em torno destes tópicos. O que verás é que muitos dos problemas nutricionais
que enfrentamos hoje estão diretamente relacionados com o que David falava
anteriormente: o aumento meteórico da ingestão de açúcar entre os americanos
coincidindo com a intromissão de interesses especiais e grandes negócios no
fornecimento da nossa alimentação. Estas grandes mudanças, que abordarei daqui
a pouco, tiveram uma influência significativa na maneira como pensamos sobre os
alimentos e como os consumimos.</p>



<p><em>Os profetas do início do século XIX</em>. Graças ao trabalho de pessoas como William Banting, um
famoso agente funerário inglês que encontrou uma solução dietética para a sua
própria obesidade, o consenso geral durante esse período para alguém que estava
acima do peso era reduzir a sua ingestão de açúcar. Era também recomendado
diminuir a ingestão de amidos &#8211; batatas e pão &#8211; e concentrar-se mais em carne,
manteiga, natas e vegetais. As pessoas empregaram tanto a experimentação
pessoal, como Banting, quanto a experimentação em contextos clínicos e
descobriram que a abordagem com poucos hidratos de carbono e sem açúcar
realmente funcionava. Tudo isso era sabedoria convencional e não controversa. Foi
a partir da década de 1950 que as pessoas começaram a afastar-se destas
recomendações, que eram na verdade o caminho certo.</p>



<p><em>O início dos anos 1900 e a ascensão
da industrialização</em>. Durante
muito tempo, não houve recomendações alimentares na Europa ou nos Estados
Unidos. As recomendações alimentares, no entanto, começaram finalmente a surgir
no início dos anos 1900, quando as pessoas começaram a entender que várias
doenças, como o bócio &#8211; o aumento anormal da glândula tiroide &#8211; eram devidas a
problemas de deficiência, como o baixo teor de iodo. Havia várias outras
condições causadas por várias deficiências de vitamina B. E assim, começámos a
aprender sobre vitaminas e potenciais nutrientes. Começámos a fortificar alguns
alimentos. De muitas maneiras, as coisas melhoraram e os problemas foram resolvidos.
Mas foi também durante este período que várias coisas tóxicas aconteceram
simultaneamente, incluindo a política envolver-se com a industrialização dos
nossos alimentos. Havia alguns investigadores na época que estavam a fazer
alguns progressos no estudo de dietas vegetarianas com baixo teor de gordura &#8211;
por razões morais, mais do que qualquer outra coisa &#8211; incentivando as pessoas a
comerem mais óleos de sementes e mais cereais. Mas as suas descobertas, que
eram puras na origem, tornaram-se repentinamente politizadas e economicamente
incentivadas, à medida que o governo começou a distribuir subsídios agrícolas
com foco na produção de produtos com vida útil longa a partir de cereais
refinados.</p>



<p><em>Meados dos anos 1900 e Ancel Keys.</em> Recentemente, escrevi uma peça chamada “Lies, Damn Lies, and Statistics” (Mentiras, malditas mentiras e estatísticas) para acompanhar um dos meus livros. O foco da peça é destacar como tudo descarrilou em meados da década de 1900 no que respeita às recomendações alimentares (a minha colega colaboradora, Dra. Zoë Harcombe, explorará isso mais adiante). Tudo isto começa com o conhecido investigador e bioquímico Ancel Keys. Keys tinha uma personalidade carismática e era uma força dominante no mundo académico. Ele produziu uma investigação convincente sobre como a ingestão de gordura na dieta estava a aumentar as doenças cardiovasculares, mas também omitiu uma quantidade razoável nos detalhes desta pesquisa. O inimigo ideológico de Keys era outro investigador chamado John Yudkin, que estava a produzir uma investigação fascinante dizendo exatamente o oposto do seu rival &#8211; que o açúcar estava a causar doenças cardiovasculares, não a gordura. Keys, no entanto, era um indivíduo belicoso, sem rodeios e intimidador, e conseguiu chamar a atenção de algumas pessoas que estavam no comité governamental encarregado de fazer recomendações alimentares. Keys também foi um dos primeiros investigadores académicos que começaram a usar ataques pessoais aos seus rivais, em vez de ataques baseados em factos. Devido à sua forte personalidade e pesquisa, Keys falou mais alto e, assim, a sua voz foi ouvida. No meio de toda esta confusão, a pesquisa de Yudkin foi muito ignorada. A ascensão de Keys foi uma confluência interessante de alguma ciência desonesta e uma abordagem dietética quase religiosa, junto com algumas pessoas que estavam no lugar certo na hora certa para avançar com uma política de saúde que dizia que uma dieta com baixo teor de gordura (quer dizer com baixo teor de gordura animal) era a solução para o excesso de peso.</p>



<p><em>As décadas de 1960 e 70 &#8211; subsídios agrícolas e junk food</em>. Houve um verdadeiro movimento contra-cultural na década de 1960, em que as pessoas começaram a afastar-se dos alimentos americanos tradicionais, como bifes, gorduras animais e manteiga &#8211; estes eram alimentos que eram pouco respeitados com a ascensão das descobertas de Ancel Keys. Foi também nessa época que, para ser eleito, Richard Nixon, desesperado por garantir o voto conservador, prometeu expandir expressivamente o programa de subsídios agrícolas, um programa que estava a definhar desde a Segunda Guerra Mundial, quando os agricultores receberam incentivos agressivos pelo esforço de guerra. Quando Nixon se tornou presidente, os agricultores começaram a produzir montes de milho e trigo, alimentos ricos em hidratos de carbono, financiados pelo governo. Este aumento na produção, no entanto, resultou em demasiada comida. Em todo o país, havia armazéns de comida a apodrecer. Foi também por esta altura que alguns investigadores no Japão aperfeiçoaram um processo de extração de xarope de milho com alto teor de frutose de grandes quantidades de milho e começaram a usá-lo como um adoçante muito barato &#8211; algo que era muito mais barato que a cana-de-açúcar e cerca de uma vez e meia mais doce que o açúcar comum. Barato e saboroso. Então, uma vez mais, este período foi uma confluência interessante de indivíduos carismáticos na comunidade científica sugerindo ao público que reduza a gordura e coma mais cereais (desde que a comida fosse &#8220;com pouca gordura&#8221;, isso era considerado bom), a produção de mais cereais por causa dos subsídios do governo e a subsidiação de todo um processo que criou açúcar artificial que era barato e poderia ser canalizado para a indústria de junk food.</p>



<p><em>Os anos 80 &#8211; Robert Atkins e Dean Ornish</em>. Robert Atkins, conhecido pela famosa dieta Atkins, aprendeu sobre dieta baixa em hidratos de carbono num manual da Força Aérea dos EUA, escrito para pilotos com demasiado peso para voarem e que precisavam de ajuda para emagrecer. Uma dieta baixa em hidratos de carbono significava remover coisas como batatas, pão e cerveja e comer mais gorduras animais. Para Atkins, funcionava, e ele tornou- -se um megafone deste tipo de dieta. A coisa correu bem; isto é, antes de Dean Ornish entrar em cena perto do final do século XX, ele que apanhou boleia do trabalho de Nathan Pritikin, outro investigador que era um defensor de uma dieta pobre em gordura e rica em fibras. Ornish conduziu alguns estudos integrativos em que realizou imagiologia cardíaca em pessoas que pararam de fumar, meditavam regularmente, exercitavam-se regularmente e faziam uma dieta com pouca gordura. A imagiologia sugeria que eles tinham encontrado uma fórmula para reverter as doenças cardiovasculares. O problema, no entanto, era que o erro nessa imagiologia era maior do que a alegação de melhora no estado de doença cardiovascular. Por outras palavras, se se pegasse numa pessoa e realizasse essa imagiologia cardiovascular dez vezes, haveria pouca variação dentro de cada amostra individual. Isto deveria ter sido abatido imediatamente &#8211; e muitos na comunidade científica levantaram preocupações &#8211; mas, mais uma vez, houve um movimento reforçador e o entendimento de que comer alimentos com baixo teor de gordura era o caminho para derrotar doenças cardíacas. Foram feitas grandes suposições. Os contrapontos foram ignorados. A ingestão de açúcar aumentou sob a bandeira da dieta com pouca gordura. Essa também foi a origem de dietas vegan e à base de plantas, com o apoio de grandes organizações religiosas e até de hospitais com raízes religiosas.</p>



<p><em>Gary
Taubes e os anos 2000</em>. Gary Taubes
causou polémica no início dos anos 2000, quando publicou uma peça chamada
&#8220;The Soft Science of Dietary Fat” (“A Fraca Ciência da Gordura
Dietética&#8221;), onde explorou as alegações feitas sobre doenças
cardiovasculares e ingestão de gordura. Taubes descobriu o que muitos outros descobriram:
que essas alegações sobre dieta com pouca gordura não correspondiam à ciência.
A sua hipótese era que o principal fator de obesidade &#8211; e, por extensão,
doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 &#8211; estava relacionado apenas à
insulina. A insulina é impulsionada principalmente pela ingestão de hidratos de
carbono, então ele tornou-se um defensor da dieta baixa em hidratos de carbono.
Eu penso que, num nível prescritivo, a recomendação de uma dieta pobre em hidratos
de carbono está realmente certa, pois é uma maneira de conseguir que as pessoas
reduzam a sua ingestão calórica total. Taubes fez algumas alegações de que as
calorias não importam se mantiveres os hidratos de carbono dentro de certos
níveis, o que eu não acredito que seja apoiado pela ciência, e brinca
completamente com a cara da nossa biologia evolutiva. Não importa, através do
seu trabalho e descobertas, Taubes ajudou a trazer uma série de verdades de
volta a uma conversa que foi sequestrada por grandes empresas e políticos.</p>



<p><em>Paleo
e cetogénica, as dietas com baixos hidratos de carbono e alto teor de gordura</em>. Portanto, no contexto desta história, vamos hoje tocar
brevemente nas duas principais dietas com baixos hidratos de carbono e alto
teor de gordura que eu acredito serem eficazes, paleo e cetogénica (&#8220;keto&#8221;):</p>



<p><em>Paleo</em>. Investigadores modernos e profissionais médicos que
aprenderam sobre a abordagem paleo fizeram uma pergunta simples: e se as
características do nosso mundo moderno estiverem em desacordo com a nossa
genética antiga? O chamado conceito de dieta paleo nasceu através da observação
de dezenas, senão centenas, de antropólogos e médicos especialistas. Eles
perceberam que os grupos de caçadores-coletores estavam em grande parte livres
de doenças degenerativas modernas. Estas pessoas eram notavelmente saudáveis,
apesar da quase completa falta de intervenções médicas modernas. Por exclusão,
a dieta paleo sugere que em regra se deve minimizar ou evitar cereais, leguminosas
e laticínios. Por quê? Porque esses alimentos são &#8220;evolutivamente
novos&#8221;. Isso significa que eles são relativamente novos para a nossa
espécie e, portanto, podem apresentar problemas para algumas pessoas. Por
inclusão, isso significa que a dieta é composta de carnes magras, peixe e
marisco, frutas, vegetais, raízes, brotos, tubérculos, nozes e sementes.</p>



<p><em>Cetogénica</em>. Para encurtar a história, os investigadores das décadas
de 1920 e 1930 notaram que pacientes com epilepsia grave tinham notavelmente
menos crises quando estavam em jejum. Isto porque, quando jejuavam, esgotavam o
glicogénio hepático (um hidrato de carbono armazenado), mudando o corpo para um
estado de cetose. Nesse estado, os corpos cetónicos (produzidos a partir de
gordura) são usados em vez da glicose para a maioria das necessidades de
energia, mas em particular pelo cérebro. O nosso cérebro pode mudar quase dois
terços do seu metabolismo normal dependente de glicose para um alimentado por
cetonas, que fornecem uma fonte de energia muito mais estável. Embora a dieta
cetogénica tenha nascido da necessidade de ajudar a epilepsia, muitas pessoas
observaram que dietas com poucos hidratos de carbono eram excecionalmente
eficazes para a perda de gordura. Nomes como Banting, Atkins e outros surgiram
ao longo dos anos, oferecendo estratégias eficazes de perda de peso e
controvérsia. Uma dieta pobre em hidratos de carbono e rica em gordura
geralmente contradiz as recomendações de muitas autoridades de saúde e agências
governamentais.</p>



<p>Agora
que tiveste um instantâneo da nossa história alimentar, vou quebrar os mitos de
que a gordura é má e que a carne vermelha causa cancro. Verás que eles estão
diretamente relacionados com o ponto onde o Ocidente descarrilou na sua
história científica no que diz respeito à nutrição.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mito: Gordura faz mal</strong></h2>



<p>O problema com muitas das conclusões sobre a gordura que foram feitas na nossa curta história como seres humanos é que a investigação realizada mostrou correlação entre a ingestão de gordura e doenças cardiovasculares, mas não causalidade. Esse tipo de pesquisa &#8211; que é chamado de &#8220;pesquisa epidemiológica&#8221; &#8211; exige que sejam recolhidas amostras grandes e diversas, destinadas a refletir o todo. Isso foi incrivelmente útil para o estudo do tabaco, porque revelou uma correlação incrivelmente poderosa entre tabaco e cancro. O impacto da ingestão de gordura nas doenças cardiovasculares, no entanto, foi muito mais subtil. As conclusões que foram feitas sobre causalidade foram irresponsáveis e motivadas por sérios incentivos financeiros.</p>



<p>Aqui está um exemplo da nuance e complexidade por trás da pesquisa epidemiológica reunida sobre a ingestão de gordura: na nossa história, as pessoas tendiam a comer mais gordura &#8211; e mais gordura animal &#8211; à medida que se tornavam mais abastadas. Mas, à medida que se tornavam mais ricas, também se exercitavam menos e também tendiam a beber mais álcool porque podiam pagar&#8230; e também costumavam fumar mais porque podiam pagar &#8230; e tendiam a comer mais açúcar porque podiam pagar. Era verdade que essas pessoas estavam em maior risco de doença cardiovascular; mas isso foi devido à variedade de alimentos e substâncias que podiam consumir por causa da sua riqueza, não necessariamente por causa da sua ingestão de gordura. No entanto, essa foi a única coisa ressaltada nos estudos de investigadores que queriam demonstrar causalidade. Esta propaganda do &#8220;sem gordura&#8221; também foi impulsionada por uma agenda quase religiosa, vegetariana e vegan por parte de pessoas como Ancel Keys, e depois apoiada por mudanças na orientação governamental e pela subsidiação americana do fornecimento de comida, criando uma história multifatorial de como surgiu esta “sabedoria convencional” de diminuir a ingestão de gordura.</p>



<p>Reduzir
a gordura e a gordura saturada resultou no aumento no consumo de hidratos de
carbono, açúcar e óleos vegetais. É geralmente verdade que as pessoas
aumentaram o consumo de gordura ao longo do tempo, mas o que está a faltar
nesta narrativa &#8211; e o que há de novo na nossa história como seres humanos &#8211; é
que a gordura também faz parte dos alimentos processados ricos em hidratos de
carbono: coisas como pastelaria, snacks e basicamente tudo o que é processado e
que enche os corredores dos supermercados. É muito mais complexo do que as
pessoas apenas a adicionar manteiga a um bife ou brócolos. Estes hidratos de
carbono refinados estão nas coisas &#8220;com pouca gordura&#8221; que comemos.
As Diretrizes Dietéticas dos EUA &#8211; conduzidas pelos programas de subsídios
agrícolas, academia, dietética e associações médicas &#8211; historicamente
incorporaram a noção de que dietas com pouca gordura são as formas mais saudáveis
e benéficas de comer. É um problema multifatorial.</p>



<p>Por exemplo, lembras-te do SnackWell? Era um &#8220;alimento zero gordura&#8221;, mas era feito de farinha, xarope de milho com alto teor de frutose, açúcar comum e um pouco de cacau. Era a coisa mais distante da saúde, mas tinha o apoio de uma importante associação de saúde porque não tinha gordura. Bem, as pessoas ouviram o que os &#8220;especialistas&#8221; concluíram sobre esses alimentos e consumiam produtos como este porque eram endossados pelo governo como saudáveis. Por outras palavras, as pessoas ouviram as recomendações e os produtores de alimentos garantiram a disponibilidade de toneladas com base nessas recomendações.</p>



<p>Tudo isto resultou num aumento da obesidade, doenças crónicas e uma maior taxa de mortalidade entre pessoas relativamente jovens. Alguns podem argumentar que isso é impulsionado principalmente pela nossa ingestão de hidratos de carbono e níveis de insulina cronicamente elevados, que levam à insensibilidade à insulina, mas a melhor ciência que temos neste momento, na minha opinião, é que as pessoas estão a comer em excesso. E os motivadores para comer demais são esses alimentos complexos, hiper-palatáveis e altamente processados, com alto teor de açúcar e hidratos de carbono. Por exemplo, no meu segundo livro, Wired To Eat (“Programado para comer”), falo sobre um princípio prevalecente na indústria de alimentos processados que chamo de &#8220;Doritos Roulette&#8221; (“roleta Doritos”), a ideia de que em cada pacote Doritos há chips com um sabor um pouco diferente. Poderás até ver uma frase no pacote que diz algo como: “Cuidado: alguns chips são extremamente picantes.” Portanto, alguns chips são picantes, alguns são leves e outros são médios. Isso é intencional por parte do fabricante, explorando dentro de ti o que foi chamado de &#8220;Efeito Buffet&#8221; ou &#8220;Efeito Sobremesa&#8221; &#8211; a ideia de que se as pessoas tiverem mais variedade no consumo de alimentos, as pessoas inevitavelmente comerão mais. Provavelmente já foste a um jantar, onde te sentiste completamente cheio, mas ainda assim, de alguma forma, abriste espaço para a sobremesa. Da mesma forma, devido à variedade, a Doritos Roulette torna o seu produto incrivelmente viciante, o que leva a excessos. Nunca na história da civilização tivemos tanta variedade tão prontamente disponível em cada refeição ou lanche.</p>



<p>A par com a refinação de hidratos de carbono, principalmente o milho, ficámos com o amido de milho, que foi então usado para produzir xarope de milho com alto teor de frutose e óleo de milho. Enquanto, antes, a manteiga ou o óleo de coco poderiam ter sido usados em algo como pipocas, foram substituídos por óleos vegetais altamente polinsaturados (óleo de canola, óleo de milho, óleo de cártamo) porque as gorduras saturadas e as gorduras animais eram consideradas prejudiciais. No entanto, como estes tipos de óleos vegetais ficam rançosos com facilidade, foi desenvolvido um processo chamado hidrogenação, que pode transformar essas gorduras polinsaturadas em gorduras saturadas hidrogenadas e gorduras saturadas parcialmente hidrogenadas. Os tipos de gorduras que foram criadas por esse processo foram chamados de &#8220;gorduras trans&#8221;.</p>



<p>A biologia não produz gorduras trans para além de algumas circunstâncias muito raras, como o ácido linoléico conjugado em laticínios de bovinos, que na verdade é uma gordura altamente benéfica, uma gordura que obtemos tanto da carne como dos laticínios de animais alimentados a pasto. Mas estes são os únicos tipos de gorduras trans que os corpos humanos tinham experimentado; e, de repente, as pessoas passaram de comer nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; gordura trans na sua dieta, para comerem grandes porções de gordura trans. Para piorar as coisas, essas gorduras polinsaturadas tendem a estar cheias de gorduras ômega-6 de cadeia curta; historicamente, os humanos também não comem grandes quantidades destas. A nossa biologia não nos preparou para a direção da indústria dos alimentos. Portanto, quer sejam hidrogenadas ou não, os seres humanos estão subitamente a ingerir uma quantidade maior desses tipos de gorduras, que agora percebemos serem muito pró-inflamatórias e causam muitos problemas metabólicos. No entanto, eram incrivelmente baratas, fantásticas em pastelaria, ajudavam a estabilizar o prazo de validade, tinham um sabor muito bom e tinham um sabor muito benigno e suave, que não era forte como algo como o óleo de coco pode ser. Foram muito benéficas no cenário da fabricação de alimentos, mas acabaram por ser um desastre do ponto de vista da saúde. Mais uma vez, era o dinheiro que estava a dirigir o espetáculo e a dar ordens.</p>



<p>A ciência tem mostrado o tempo todo &#8211;
com mais foco ultimamente &#8211; que as gorduras naturais sólidas à temperatura
ambiente e que não requerem processamento são realmente boas para o corpo e
podem até ser protetoras para o corpo. Mas ao longo deste tempo todo, as
recomendações alimentares da América foram descarriladas.</p>



<p>Em 1961, os americanos viram Ancel Keys na capa da Time, que basicamente comunicava que a gordura fazia mal, era perigosa e até letal. Em 1984, era uma capa de um prato de pequeno-almoço com dois ovos como olhos e uma faixa de bacon como um sorriso, que alertava os leitores sobre o colesterol e sua relação com o consumo de gordura. E então, em 2014, era uma capa com uma manchete amarela que dizia &#8220;Eat Butter&#8221; (“Come Manteiga”), com uma sub-manchete a dizer: &#8220;Os cientistas rotularam de inimiga a gordura. Por que eles estavam errados”. Se olhares com atenção os estudos usados para mostrar que a gordura faz mal, o que verás é que muitos deles mostram uma correlação mais forte entre doenças cardíacas e ingestão de açúcar do que gordura. E a verdade é que ainda não temos as respostas, mas é evidente que a sabedoria convencional está longe de ser 100% correta, como revelam as capas da Time.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Mito: Carne vermelha causa cancro</strong></h2>



<p>O mito de que a carne vermelha causa cancro também pode ser rastreado até um mau estudo epidemiológico. O estudo teve como base dados de questionários em que às pessoas foram perguntadas uma variedade de questões sobre a sua dieta, como &#8220;O que comeu ontem?&#8221; Ou &#8220;O que comeu na semana passada?&#8221; Ou &#8220;O que comeu mais do que qualquer outra coisa no ano passado? ”Todos os dados dependiam do autorrelato das pessoas e da resposta a todos os tipos de perguntas vagas, em que as suas respostas provavelmente foram afetadas pelo que elas achavam que o investigador queria que respondessem. Estudos baseados em registos de alimentação autorreferidos nem devem ser considerados legítimos. E, mais uma vez, a causalidade foi discutida, mesmo que a própria correlação tivesse sido uma reivindicação irresponsável.</p>



<p>As alegações feitas para apoiar este
mito são interessantes, para dizer o mínimo. Uma deles foi baseada em pesquisas
feitas na China que argumentavam que, à medida que os chineses ficavam mais
ricos, comiam mais carne vermelha, e é por isso que houve um aumento no cancro.
Mais uma vez, poderia haver uma correlação, mas a causalidade é uma conclusão
tola. Como discuti anteriormente, à medida que as pessoas se industrializam,
elas ficam mais ricas, não se exercitam tanto, não saem muito, têm
flexibilidade financeira para consumir álcool, tabaco ou drogas e tendem a
comer não apenas mais carne, mas também mais açúcar e mais alimentos refinados.
Como podes ver, existem muitos fatores diferentes.</p>



<p>Outra alegação que foi feita através
de um estudo recente é a relação entre carne vermelha e cancro de cólon. No
entanto, existe uma diferença real entre risco relativo e risco absoluto. Para
dar um enquadramento aqui, nos Estados Unidos, todos, em teoria, têm um risco
de 5% de desenvolver cancro colo-retal durante a vida. A alegação no cenário
anti-carne é que comer carne vermelha ou carnes processadas aumenta a sua
probabilidade de cancro colo-retal em 20 a 25%. Mas ao dizer isso, o que eles
fazem, com o objetivo de fazer manchetes e retratar as coisas como mais
assustadoras do que realmente são, é ignorar o risco absoluto.</p>



<p>Bem, adivinha?</p>



<p>A
diferença entre 5% e 6% é de cerca de 20% &#8211; essa é a distorção que pode ocorrer
quando alternas entre números absolutos e relativos. Ou seja, é fácil fazer um
número parecer muito grande, citando o aumento ou diminuição percentual. Neste
caso, passar de 5% para 6% provavelmente envolveria consumir grandes
quantidades todos os dias pelo resto da vida, o que praticamente ninguém faz.
Muitos destes estudos têm motivos claros por trás dos defensores das dietas
vegan e baseadas em plantas, que se tornaram socialmente ligados à moralidade,
e muito dinheiro por trás destas campanhas para influenciar a cultura popular.</p>



<p>Também foi feita uma alegação
relacionada de que comer animais não é apenas mau para as pessoas, mas também é
mau para o meio ambiente. Abordar esta afirmação pode ser uma tarefa assustadora,
pois muitos que contestam esta noção &#8211; que, a propósito, está diretamente
relacionada ao aquecimento global &#8211; são imediatamente vistos como malucos de
direita que ignoram a ciência. Espero que possas dizer agora que estou
realmente a tentar responsabilizar a ciência e apontar as falhas legítimas numa
série de alegações que têm sido feitas. Portanto, para nos aprofundarmos, há
uma alegação de que a produção de produtos de origem animal é um grande vetor
para os diferentes tipos de gases de efeito estufa, dióxido de carbono e
metano. Há alguma verdade nisso. Mas isso ocorre principalmente no contexto do
processo de confinamento industrializado. Quando colocam vacas no sistema de
confinamento, o que estão a fazer é alimentá-lo com cereais &#8211; e esses cereais
foram cultivados usando combustíveis fósseis.</p>



<p>Como isto funciona é que os
agricultores cultivam milho, trigo, cevada ou o que quer que seja; cresce; é
processado; é enviado para todo o país ou para o mundo; e as sobras vão para estes
confinamentos. Mas quando olhas para o outro lado e consideras uma prática gerida
holisticamente de criar ruminantes no pasto, tens um laço muito apertado: o sol
brilha no pasto, o pasto retém o dióxido de carbono e outros nutrientes, esses
nutrientes crescem e então os ruminantes &#8211; animais com dois estômagos e um
processo biológico feito para decompor a vegetação que os humanos não conseguem
consumir &#8211; comem o pasto e também crescem. E então, eventualmente, eles são
comidos por humanos ou predadores &#8211; ou o animal simplesmente morre.</p>



<p>Quando analisas a entrada total de
energia e a pegada de carbono da carne de pasto e da carne gerida de forma holística
nos produtos de origem animal, ela é completamente diferente daquela usada na
pecuária convencional. Parte do que acontece quando as plantas absorvem a luz
do sol e usam dióxido de carbono e água para produzir açúcar e amido é que o
açúcar e o amido ficam no subsolo e alimentam bactérias e fungos. Isto é solo.
Parte do que o fungo faz é minerar minerais que compartilha com as bactérias,
que depois compartilham com as plantas. E assim, nessas áreas onde há
pastagens, como nas estepes da Sibéria, que são muito semelhantes às pastagens
da América do Norte, as raízes dessas plantas às vezes podem aventurar-se
centenas de metros no chão. As planícies americanas costumavam ter centenas de
metros de solo de cobertura, e agora tem cerca de 12 a 15 pés de solo
superficial por causa das práticas agrícolas convencionais, que são baseadas em
culturas em linha, que é a peça central da dieta vegan &#8211; composta de cereais e
leguminosas. O modo como os cereais e as leguminosas são cultivados é
insustentável na forma de colheita em linha. Portanto, a ironia é que a
recomendação de um vegan aceleraria a mudança climática e a perda de solo
superficial. As Nações Unidas publicaram um relatório sugerindo que o mundo em
geral tem sessenta anos de solo superficial. E, uma vez o solo superficial perdido,
a nossa capacidade de nos alimentarmos seria efetivamente perdida.</p>



<p>Mas, se as pessoas entendessem a forma como esta gestão holística poderia ocorrer, poderíamos estar a produzir enormes quantidades de alimentos e a sequestrar carbono, potencialmente retornando os níveis de carbono aos níveis atmosféricos pré-industrializados nesse ciclo virtuoso de produção de alimentos e restauração do solo. Mas é uma história realmente complexa e é praticamente um suicídio político sugerir que possas usar a criação de animais eficaz para lidar com as mudanças climáticas. De qualquer forma, tudo isto está relacionado ao mito de que a carne vermelha causa cancro e que comer animais é mau para os seres humanos e para o meio ambiente.</p>



<p>.</p>



<p>Queres saber mais sobre o que comer e o que evitar para uma vida longa com saúde? Vê <a href="https://sandraoliveira.net/o-que-comer-e-o-que-evitar-para-uma-vida-longa-com-saude/">aqui</a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/uma-breve-historia-da-nutricao-no-ocidente/">Uma Breve História da Nutrição no Ocidente</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por que é que comer animais torna tudo mais fácil</title>
		<link>https://sandraoliveira.net/comer-animais-torna-tudo-mais-facil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2019 14:29:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estilo de vida]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição e alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[gordura]]></category>
		<category><![CDATA[Hidratos de carbono]]></category>
		<category><![CDATA[Obesidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://sandraoliveira.net/?p=298</guid>

					<description><![CDATA[<p>A sociedade vive atualmente num Paradigma de Hidratos de Carbono. É-lhes dito por diversas entidades para comer mais hidratos de carbono e menos gordura. O problema é que na maioria dos casos, os nossos corpos ficam resistentes à insulina e não conseguem lidar bem com hidratos de carbono. A produção excessiva de insulina irá, em resultado, promover a acumulação de gordura nas células adiposas, fazendo as pessoas engordarem. Essa gordura armazenada é energia disponível para queimar e para começarmos a aceder a essas reservas é necessário uma mudança para o Paradigma da Gordura. Começa a cortar os hidratos de carbono e a comer mais animais (e a sua gordura) e é tudo o que é preciso para entrares no Paradigma da Gordura e começares a queimar gordura como combustível.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/comer-animais-torna-tudo-mais-facil/">Por que é que comer animais torna tudo mais fácil</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Prosseguindo com as
lições que desvendam os fundamentos ancestrais para uma vida saudável no mundo
moderno, eis aqui a terceira de um conjunto de sete (podes ver as outras duas <a href="http://sandraoliveira.net/a-saude-duradoura-comeca-aqui/">aqui</a> e <a href="http://sandraoliveira.net/como-a-agricultura-arruinou-a-nossa-saude-e-o-que-fazer-acerca-disso/">aqui</a>).</p>



<p>Por Mark Sisson</p>



<p>Da última vez, desvendei
o Paradigma dos Hidratos de Carbono em que vivemos.</p>



<p>Caso precises, aqui
está uma atualização rápida:</p>



<p>Indivíduos obesos
com um metabolismo de hidratos de carbono defeituoso são informados (por
médicos, por autoridades governamentais, por nutricionistas) a ingerir mais hidratos
de carbono e menos gordura.</p>



<p>Eles fazem-no (o consumo de hidratos de carbono como percentagem da ingestão calórica total aumentou de acordo com a epidemia de obesidade, mais do que gordura ou proteína). Eles comem hidratos de carbono e reduzem a ingestão de gordura.</p>



<p>Como os seus corpos
resistentes à insulina não conseguem lidar bem com hidratos de carbono, eles
produzem muita insulina para lidar com o pico. Único problema? Esses hidratos
de carbono não são armazenados em reservas de glicogénio muscular sensíveis à
insulina, porque o músculo é resistente à insulina. Enquanto isso, a insulina
excessiva impede a queima de gordura, e quaisquer gordura ou hidratos de
carbono extra provenientes da refeição são armazenados em células de gordura.
As pessoas engordam.</p>



<p>Como o alimento não
está a ser usado e, em vez disso, está a ser armazenado para uso posterior, o
corpo acha que está cheio de fome e, em resultado, fica com mais fome. As
pessoas comem mais hidratos de carbono.</p>



<p>O ciclo continua
ininterrupto.</p>



<p>Mas chega disto. Isto
pára aqui. Acho que é hora de mudarmos para um novo paradigma. Na verdade, é um
paradigma clássico bastante antigo que foi esquecido &#8211; mas continua tão válido
como sempre.</p>



<p>É hora do Paradigma
da Gordura. É hora de começar a queimar gordura para obtenção de energia. É
hora de nos afastarmos da queima de glicose.</p>



<p>Sabes, a gordura é a fonte de energia perfeita para nós. É eficiente. É limpa. E é o tipo de combustível que nossos corpos gostam de queimar. Caso contrário, porque mais o armazenaríamos nos nossos corpos para os tempos difíceis?</p>



<p>É isto que as
pessoas não sabem acerca da gordura corporal. Ela não está lá só porque fizemos
asneira e o nosso corpo não tem onde colocá-la. A gordura corporal, ou tecido
adiposo, é energia armazenada. Claro, os obesos têm demasiada gordura corporal,
mas o facto é que os nossos corpos desenvolveram a capacidade de armazenar
gordura em células de gordura, porque é um combustível eficaz.</p>



<p>O problema é que
muitos de nós estão com problemas. Vida sedentária, toxinas dos alimentos
modernos, demasiado stress, falta de sono e uma clara falta de brincar por
brincar (direi mais sobre isto depois, se estás confuso sobre por que é que elenco
“brincar” em conjunto com todas as outras coisas) mudaram fundamentalmente a
maneira como processamos o combustível. Muitos de nós nem conseguimos aceder à
gordura armazenada, vivendo, em vez disso, de glicose (e mal). Toda essa
energia armazenada &#8211; gordura corporal &#8211; é desperdiçada.</p>



<p>Então, se estás
acima do peso ou obeso, é provável que estejas com problemas. E, pelo menos por
enquanto, até que estejas curado, hidratos de carbono em excesso pioram o
problema.</p>



<p>Mas isto pode ser
consertado. Não precisas de médicos, ou medicamentos ou tratamentos, caros. Só
precisas começar a aceder à tua gordura corporal e queimar gordura como fonte
de energia.</p>



<p>Ao converteres o
teu metabolismo num metabolismo baseado em gordura animal, estás a retornar à
fonte ancestral de combustível humano. E a melhor maneira de mudar para a
queima de gordura é começar a comer mais animais e qualquer gordura que venha
com eles.</p>



<p>A gordura animal,
especialmente de ruminantes como carne bovina e borrego, vem com proporções
aproximadamente iguais de gorduras saturadas e monoinsaturadas, com um pouco de
gorduras polinsaturadas omega-6 e omega-3. Curiosamente, a tua própria gordura
animal &#8211; a gordura depositada no teu corpo e a gordura que o teu corpo foi
projetado para queimar como energia em tempos difíceis &#8211; vem com proporções
muito semelhantes. É quase como se a gordura animal nos fizesse bem!</p>



<p>O que me leva ao
meu ponto principal do artigo de hoje: comer animais simplesmente facilita
tudo.</p>



<p>Comendo animais, obténs
gordura animal saudável. Obténs proteína, importante para construir músculos e manter-te
saciado. Obténs todos os micronutrientes, vitaminas e minerais que o animal
comeu, de uma forma que o teu corpo pode absorver. É o pacote perfeito de
nutrição para um ser queimador de gordura.</p>



<p>Eu não odeio hidratos
de carbono. Eles podem ser úteis e até benéficos em certos casos. Come hidratos
de carbono quando precisares de combustível para atividades de resistência. Não
comas hidratos de carbono só porque sim, come-os porque precisas da energia.
Porque és realmente ativo e eles não serão desperdiçados.</p>



<p>Caso contrário?</p>



<p>A gordura é tua amiga.</p>



<p>A gordura irá
alimentar as tuas atividades diárias, a tua caminhada, As tuas compras, o teu
trabalho e leitura. A gordura pode até fornecer a maior parte da energia
necessária ao teu cérebro. O teu cérebro ainda precisa de glicose, vê bem, mas
tornares-te metabolicamente saudável permitirá que acedas tanto à glicose como à
gordura como fonte de energia.</p>



<p>Resumindo: se estás
acima do peso, não estás a utilizar a energia armazenada no teu corpo. Mudar
para o Paradigma da Gordura e uma dieta à base de gordura vai desbloquear a
gordura corporal armazenada e permitir que uses o que já tens (mais os hidratos
de carbono, quando e se os comeres). Mas se permaneceres entrincheirado no
Paradigma dos Hidratos, o teu corpo nunca receberá a mensagem para começar a aceder
à gordura corporal para obter energia.</p>



<p>Se precisas perder peso, começa a cortar os hidratos
de carbono e a comer mais animais (e a sua gordura). Isto é tudo o que é
preciso para entrar no Paradigma da Gordura e começar a queimar gordura, e é
tão fácil (e delicioso) quanto parece.</p>



<p>Na próxima vez, darei mais detalhes sobre o que e quanto comer, mas, por enquanto, mantem-te a comer animais.</p>



<p>Fica atento à próxima lição. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://sandraoliveira.net/comer-animais-torna-tudo-mais-facil/">Por que é que comer animais torna tudo mais fácil</a> aparece primeiro em <a href="https://sandraoliveira.net">Sandra Oliveira - Coach</a>.</p>
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